Informação Doentes/Familias

O que é a Psicose ?

A palavra psicose é usada para descrever um conjunto de sintomas que afectam os pensamentos das pessoas, sentimentos e comportamentos. A psicose pode causar que alguém se sinta confuso ou faça uma interpretação errada do que vai ocorrendo à sua volta.

Por exemplo, uma pessoa que experiencia psicose pode ouvir vozes quando está sozinho mas essa voz é ouvida interiormente e é muito real para ele/ela.

Quando alguém fica assim é chamado de episódio psicótico.

Um episódio é um período de tempo quando alguém tem estes sintomas de psicose e interfere com a vida normal do dia-a-dia.

A Psicose ocorre maioritariamente na fase final da adolescência ou no início da vida adulta.

A psicose pode ser tratada e a maioria das pessoas têm uma remissão completa dessa experiência. 

Quais são os sintomas da psicose ?

Os sintomas são diferentes e por vezes os doentes podem ter uma variedade de sintomas ou apenas um. Alguns dos sintomas de psicose são os seguintes:

Pensamento confuso

Todos os dias os pensamentos tornam-se confusos ou não estão bem para fazer frases ou dificilmente compreensíveis. Uma pessoa pode ter dificuldade em se concentrar, seguir uma conversa ou lembrar-se das coisas. Os pensamentos podem parecer acelerados ou lentificados. 

 

Falsos pensamentos

É comum uma pessoa que tem um episódio psicótico ter falsos pensamentos. A pessoa está totalmente convencida do seu pensamento ou ideia delirante, e o argumento mais lógico não consegue modificar a sua forma de pensar. Por exemplo, o doente pode estar convencido de que alguém estacionou o carro num determinado lugar para conseguir vigiar a sua casa. 

 

Alucinações

Na psicose a pessoa pode ver, ouvir ou cheirar algumas coisas que não existem realmente. Por exemplo, pode ouvir vozes que mais ninguém ouve, ou ver coisas que não acontecem. Alguns alimentos ou objectos podem cheirar ou saber mal.

 

Alterações de comportamento

Uma pessoa com psicose pode comportar-se diferentemente do habitual. Uma pessoa pode estar extremamente activa ou ter dificuldade em ter energia para fazer coisas. Pode rir-se quando as coisas não são engraçadas ou ficar zangada sem causa aparente. Por vezes tem comportamento de acordo com aquilo que pensa, e assim ter comportamentos muito diferentes.

 

Quais são os tipos de psicose ?

Existem vários tipos de psicose, mas por vezes nas fases iniciais da doença nem sempre é fácil fazer logo um diagnóstico exacto.

É quase sempre necessário passar algum tempo e acompanhamento para se poder fazer um diagnóstico com mais precisão.

Dentro das doenças psicóticas incluem-se a psicose reactiva breve, psicose induzida por drogas, esquizofrenia, doença bipolar (maníaco-depressiva), depressão psicótica etc..

O que causa a psicose ?

Existem algumas causas identificadas para a psicose, mas existe ainda muita investigação a fazer.

Sabe-se que a psicose é causada por uma combinação de factores herdados que tornam uma pessoa mais vulnerável a ter uma experiência psicótica.

Estes sintomas podem depois acontecer em resposta ao stress, uso de drogas (como canábis) ou alterações sociais.

 

Canabis e Psicose

A canábis é a droga ilícita mais consumida no mundo. Existe em várias formas, como marijuana ou haxixe. 

Os efeitos da canábis variam de pessoa para pessoa. Entre os efeitos imediatos incluem-se relaxamento e perda da inibição, aumento do apetite, alteração da percepção, alteração do pensamento, memória e coordenação, aumento da frequência cardíaca, redução da pressão arterial e pupilas dilatadas.

Em grandes quantidades o consumo de canábis pode causar sentimentos de excitação, paranóia, alucinações, ansiedade, ruptura com a realidade, inquietação ou confusão.

A longo prazo o consumo regular de canábis pode ainda levar a perda de motivação, alterações da concentração e da capacidade de aprender, problemas de relacionamento com outras pessoas, problemas no trabalho e na escola e precipitação de doenças psiquiátricas como a psicose.

Algumas pessoas estão predispostas para o desenvolvimento de psicose. Pensa-se que este é geneticamente determinado. O uso regular de canábis, especialmente em grandes quantidades, está associado ao aparecimento de psicose.

 

O uso de canábis dificulta a recuperação da psicose?

Sim.
As pessoas que sofrem de psicose têm que parar de consumir canábis para recuperarem de um episódio psicótico.

Se as pessoas com doença psicótica mantêm o consumo de canábis os seus sintomas pioram, bloqueiam o efeito da medicação, aparecem outros sintomas como problemas de memória ou ansiedade e é mais provável terem um novo episódio psicótico.

 

Quais as formas de não consumir canábis ?

Os doentes que consomem canábis devem tentar arranjar formas para se manterem sem consumir. Estas formas incluem: encontrar substitutos para as coisas que procuravam na canábis, como por exemplo

para lidar com a solidão;

evitar situações ou actividades que propiciam o uso de canábis;

passar tempo com amigos que não consomem;

encontrar-se com os amigos que consomem em locais onde o seu consumo é pouco provável.

 

Como ajudar alguém que sofre de psicose ?

Se sentir ou conhecer alguém que apresente sintomas que possam de alguma forma colocar a hipótese de ter uma psicose deve procurar observação especializada com brevidade.

Pode contactar o seu Médico de Família, ou se já existirem alterações de comportamento significativas observação por um Médico especialista em Psiquiatria.

Existem já diversas equipas especializadas em vários locais do país na observação e seguimento de doentes jovens com psicose. Estão geralmente integradas nos Serviços de Psiquiatria.

Todos os Médicos especialistas em Psiquiatria têm conhecimentos para observarem, diagnosticarem e orientarem o tratamento dos jovens com doenças psicóticas.

Deve contactar assim o Serviço de Psiquiatria da área de residência do doente e procurar em função da organização do respetivo serviço a forma adequada para que esta observação seja efetuada em breve espaço de tempo.

Se a condição clinica do doente exigir uma observação muito breve pode sempre recorrer ao Serviço de Urgência da área de residência do doente com Urgência de Psiquiatria.